Squash

Rooney vs Rory e Farida vs Menna nas finais do UNILIFT TIM

Quando todos os que têm passado os últimos dias nos courts do Ginásio Galo Active, a acompanharem in loco o Torneio Internacional da Madeira UNILIFT (TIM), pensam que nada mais os pode surpreender, os jogadores profissionais de squash presentes conseguem sempre elevar a fasquia e colocar o nível de jogo em patamares estratosféricos. Hoje, nas meias-finais, assistimos a jogos de tirar o fôlego e cortar a respiração. Ninguém, entre os presentes, conseguiu ficar indiferente ao recital que se desenrolou nos courts madeirenses. Emoção, qualidade e muito espetáculo foram uma constante nas quatro partidas disputadas. Na competição masculina Patrick Rooney realizou a melhor exibição do torneio diante do francês Brice Nicolas e reservou lugar na final de amanhã, pelas 15h00, onde tentará alcançar o “hat-trick” de vitórias na Madeira. Pela frente terá o escocês Rory Stewart, que teve que lutar até à exaustão para quebrar o americano Shahjahan Khan. Nos femininos, a final de amanhã, agendada para as 14h00, será 100 por cento egípcia. A jovem Farida Walid surpreendeu a 1.ª cabeça-de-série Rana Ismail e marcou duelo com a compatriota Menna Walid, que derrotou a irlandesa Breanne Flynn.

Patrick Rooney, realizou hoje, diante do francês Brice Nicolas, a melhor exibição no Torneio Internacional da Madeira UNILIFT vencendo por 3-0 e dominando totalmente os acontecimentos dentro do court. O jogador francês lutou muito e mostrou qualidades físicas invulgares, mas Patrick Rooney nunca se desconcentrou e manteve sempre o seu adversário sob check, com um squash de uma qualidade que ainda não havíamos assistido na Região. Com um controlo absoluto da bola, o jogador inglês não deu margem de manobra a Brice Nicolas, que foi submetido durante grande parte da partida a uma pressão asfixiante por parte de Patrick Rooney. Os parciais de 11-6, 11-2 e 11-5 não deixam dúvidas sobre a superioridade do jogador inglês, que arrumou a questão em apenas 34 minutos. “Provavelmente a melhor performance da semana. Senti-me mais confiante no court hoje. Não tinha tido oportunidade de ver o Brice jogar no torneio e nunca o tinha visto jogar antes. Nunca tinha jogado contra ele antes, mas sabia que era um jogador perigoso. Tinha que acertar na tática a utilizar e conseguir executar conforme o planeado. Acho que consegui fazer isso muito bem hoje. Obriguei-o a trabalhar muito e isso acabou por aparecer no final do terceiro jogo. Ele pareceu bastante cansado e isso dá-me bastante confiança para amanhã”, começou por referir o vencedor da partida. Na final, Patrick Rooney terá pela frente o escocês Rory Stewart. “Nunca sabemos muito bem o que esperar contra o Rory. Ele já está a tentar entrar na minha cabeça e só estivemos em court juntos durante 10 minutos. Treinamos muito juntos e conhecemos muito bem o jogo um do outro. É um jogador muito habilidoso, com muito bom controlo de bola e está, obviamente, a jogar bem esta semana. Espero um encontro muito duro”, concluiu o jogador inglês. Patrick Rooney tentará conquistar o primeiro torneio na segunda final que alcança esta temporada e fazer o “hat-trick” no TIM, depois das vitórias em 2016 e 2019.

Rory Stewart tem estado a jogar a um nível muito alto ao longo de toda a semana e hoje, na meia-final diante de Shahjahan Khan, voltou a rubricar uma exibição de grande qualidade. Num encontro muito duro, do ponto de vista físico, e intensamente disputado, o jogador escocês acabou por sobreviver após 5 jogos que duraram mais de 60 minutos. Entrou melhor Rory Stewart, que controlou sempre o primeiro jogo e fechou com o score de 11-4. Respondeu no segundo Shahjahan Khan. Naquele que foi o jogo mais longo do dia, o jogador norte-americano mostrou que estava no court para discutir seriamente o acesso à final e acabou vencendo por 12-10. Rory Stewart conquistou o terceiro jogo (11-7) e Shahjahan Khan o quarto (11-3). Ficava tudo por decidir na “negra”. Neste quinto jogo, Shahjahan Khan cometeu alguns erros não forçados, uma raridade esta semana no jogador americano, o que a juntar a alguns “winners” de Rory acabaram por desequilibrar a partida a favor do jogador escocês, que assim garantiu a presença na final de amanhã. “Foi um jogo muito duro. Shahjahan já tinha estado a perder nos dois encontros anteriores e acabou sempre por dar a volta. Ele não te oferece nada de graça e tens que trabalhar por cada ponto. Estou muito feliz por ter conseguido cruzar a meta. Tenho que admitir que cheguei a pensar que não iria vencer, mas tive um bom início de quinto jogo e consegui aproveitar e prolongar esse momento e atingir a final”, referiu no final Rory Stewart. “O clube é fantástico e tudo tem corrido muito bem. Jogo melhor quando venho a lugares simpáticos, com bons courts e pessoas amáveis. Ajuda a elevar o meu jogo”, concluiu o jogador escocês.

FINAL MASCULINA

15H00 – [1] Patrick Rooney [ENG] vs [3] Rory Stewart [SCO]

Final egípcia no feminino

Na competição feminina, a final de amanhã será totalmente egípcia. Farida Walid afastou a sua compatriota e 1.ª cabeça-de-série do torneio, Rana Ismail, após uma dura batalha de 5 jogos, que durou mais de 1 hora. A mais jovem das egípcias, Farida Walid, mostrou possuir argumentos para subir muito no ranking PSA no futuro próximo, e uma qualidade nada condizente com a atual posição que ocupa na hierarquia mundial (140.ª).

Farida entrou melhor no encontro, com um squash de ataque e, realizando ”winners” de todo o lado do court, fechou com facilidade o jogo inaugural por 11-5. Rana Ismail fez o que lhe competia e reagiu, subindo o nível do seu jogo e conquistando o segundo e terceiro jogos, por 11-9 e 11-7, respetivamente. Tudo parecia encaminhado para Rana Ismail voltar a mais uma final na Madeira, mas Farida Walid tinha outros planos e voltou à carga. Denotando uma personalidade forte e uma condição física invejável, a mais jovem das duas egípcias acabou dando a volta ao texto e venceu os dois últimos jogos por duplo 11-6. “Rana é uma jogadora muito dura. Conhecemo-nos muito bem e estou muito feliz por ter passado. Estou aqui para vencer e quero muito conquistar este torneio”, começou por referir Farida Walid. Sobre a final de amanhã, a jogadora egípcia não tem dúvidas. ”Vai ser um encontro complicado. Na realidade não conheço a Menna, mas quando é uma partida de egípcia contra egípcia é sempre muito difícil”, concluiu.

Menna Walid, que apesar de ter o mesmo sobrenome que Farida não têm qualquer grau de parentesco, sublinhou o domínio egípcio no TIM ao derrotar, por 3-1, a irlandesa Breanne Flynn e a fazer jus ao estatuto de 2.ª cabeça-de-série do torneio. Apesar do encontro ter vindo a tornar-se cada vez mais complicado com o decorrer dos minutos para Menna Walid, com total mérito para Breanne Flynn, a verdade é que a vantagem confortável que conseguiu conquistar ao vencer os dois primeiros jogos (11-5 e 11-9) deu à jogadora egípcia um balão de oxigénio decisivo na gestão do esforço. A jogadora irlandesa, por seu lado, foi crescendo na partida, ganhou o terceiro jogo (11-5) e mostrava que a decisão do vencedor estava longe de estar fechada. O quarto e decisivo jogo foi decidido por pormenores e podia facilmente ter caído para qualquer um dos lados. Acabou caindo, na discussão das vantagens, para o lado de Menna Walid (12-10). Respirou de alívio a jogadora egípcia, que assim garantia a presença na final da competição. “Comecei a partida muito bem, mas depois perdi a concentração no 3.º jogo e na primeira metade do 4.º. Felizmente consegui recuperar e voltar ao plano de jogo e vencer por 3-1”, disse no final a vencedora. “Farida é uma jogadora muito dura. Nunca jogamos antes e será, com certeza, uma grande batalha amanhã”, destacou sobre a final de amanhã Menna Walid. A jogadora egípcia estava muito feliz com o que encontrou neste torneio. “A Ilha da Madeira é muito bonita. Esta é a minha primeira vez aqui, mas definitivamente que não será a última. Muito provavelmente irei voltar. É muito bonito”, concluiu Menna Walid.

FINAL FEMININA

14H00 – [4] Farida Walid [EGY] vs [2] Menna Walid [EGY]

TIM Nacional nível 5

Paralelamente ao Torneio Internacional da Madeira UNILIFT está a ser disputado o TIM Nacional nível 5, competição do nível mais alto realizada pela Federação Nacional de Squash. Com 3 escalões em masculinos e 1 Quadro feminino, os melhores jogadores nacionais estiveram em ação nos courts do Ginásio Galo Active. No escalão M1 masculinos, Diego Pita (AD Galomar) e Gustavo Cruz (Lisboa Racket Center) garantiram a presença na final, após derrotarem nas meias-finais Hugo Cabral Monteiro (Sport Clube Beira-Mar) e Rui Cruz (Lisboa Racket Center), por 3-0 e 3-1, respetivamente. Uma final que promete muito entre duas das maiores promessas do squash nacional.

No escalão M2 masculino, Ricardo Santos (AD Galomar) e Tiago Paixão (Valténis Country Club) ultrapassaram a resistência de Miguel Galante (Grupo Recreativo do Bonfim) e Marco Sardinha (AD Galomar) nas meias-finais, por duplo 3-0, para assegurarem a presença na partida decisiva.

Angelino Gonçalves (AD Galomar) e James Archer (Lisboa Racket Center) disputarão a final do escalão M3. Ambos os jogadores tiveram percursos semelhantes e derrotaram nas meias-finais Ray East (Lisboa Racket Center) e Diogo Perneta (AD Galomar), por 3-0 e 3-1, respetivamente.

Um dado curioso prende-se com o facto que a AD Galomar estará representada em todas as finais na competição masculina.

Na competição feminina, Sofia Oliveira (Proracket) e Catarina Nunes (Proracket) irão discutir o título, após derrotarem nas meias-finais Inês Silva (AD Galomar) por 3-1, e Laura Catanho (AD Galomar), por 3-0. Uma final inteiramente Proracket e na qual Catarina Nunes parte como clara favorita.


Texto: Rui Catanho