Squash

Cabeças-de-série caem em hecatombe

O 2.º dia de competição do Torneio Internacional da Madeira UNILIFT viu os oito primeiros cabeças-de-série entrarem em ação. Se a primeira ronda da competição já havia brindado o muito público presente nos courts do Ginásio Galo Active com jogos muito interessantes, hoje o nível apresentado pelos atletas subiu uns quantos patamares e o squash jogado foi de uma qualidade raramente vista pelos adeptos da modalidade em Portugal. O ranking de pouco valeu aos cabeças-de-série hoje, uma vez que foram vários os que caíram às mãos dos menos favoritos. O segundo, o quarto, o sexto e o oitavo pré-designados estão fora. 
Na altura da apresentação do evento referimos que esta prometia ser a melhor edição de sempre do Torneio Internacional da Madeira UNILIFT. A verdade é que basta um olhar para o quadro de resultados de hoje para confirmarmos que, de facto, estamos perante uma prova de elevado nível competitivo. Dos primeiros quatro jogos do dia, dois foram à distância máxima (5 jogos) e os outros dois foram decididos em 4 jogos com a duração de aproximadamente 60 minutos, o que revela bem o equilíbrio dentro do court.

A grande surpresa do dia, num dia recheado de surpresas, foi a eliminação do 2.º cabeça-de-série, o colombiano Matias Knudsen, diante do neozelandês Lwamba Chileshe. A diferença no ranking mundial é de 71.ª posições, contudo, dentro do court não se viu diferença nenhuma a separar os jogadores. Entrou melhor no encontro o favorito Matias Knudsen, que venceu os dois primeiros jogos com relativo, ou aparente, conforto (11-3 e 11-7). Tudo parecia encaminhado para um triunfo tranquilo do colombiano. Pura ilusão. Lwamba Chileshe reagiu fortemente e começou a colocar questões ao seu adversário. A vitória no terceiro jogo veio dar um alento enorme ao jogador neozelandês que devolveu praticamente tudo o que Knudsen “atirou” contra ele. Com o desenrolar da partida o fator físico entrou na equação e Lwamba Chileshe soube tirar partido da sua melhor condição física para selar um triunfo que teve tanto de inesperado como de saboroso. “Tive algumas dificuldades no início em encontrar o meu ritmo. Ele estava a jogar a um ritmo muito elevado e eu estava com alguma dificuldade em conseguir ler o jogo. Tive que me aplicar a fundo, consegui encontrar o meu jogo e dar a volta. Ele começou a acusar algum cansaço o que ajudou”, referiu Lwamba. O jogador neozelandês não escondeu a admiração que tem pela Madeira e por este torneio: “Este é um dos meus torneios favoritos no calendário. É o meu terceiro ano consecutivo a vir cá jogar e, apesar de no passado não ter corrido muito bem em termos desportivos, continuo a voltar porque adoro o torneio e adoro a ilha”.
Outro encontro que necessitou de 5 jogos para decidir o vencedor foi o que opôs o norte-americano Shahjahan Khan ao inglês Noah Meredith. Este era um dos encontros de destaque da 2.ª ronda e tudo o que podemos dizer é que correspondeu, e de que maneira, às expetativas.

O jogador inglês foi quem entrou melhor na partida, controlando muito bem a bola e obrigando Khan a trabalhos redobrados para se manter em jogo. O score de 11-3 a favor de Noah mostra bem o que aconteceu no court. O ritmo do jogo favorecia o jogador inglês, que deu seguimento ao que havia feito de bom no jogo inaugural. No segundo parcial, voltou a vencer, mas desta feita com um apertado 11-9. Shahjahan Khan estava a crescer na partida e conseguiu equilibrar os acontecimentos. A partir do segundo jogo pouco ou nada separava os dois jogadores. Os parciais de 9-11 e 9-11, no terceiro e quarto jogo, favoráveis ao jogador norte-americano são um reflexo disso mesmo. O quinto e decisivo jogo foi o culminar do equilíbrio evidenciado, terminando com um 12-10 favorável a Shahjahan Khan.

O favorito local, Rui Soares, não conseguiu repetir os sucessos do passado e acabou eliminado pelo francês Joshua Phinera. O sexto cabeça-de-série não conseguiu aguentar o ritmo e a fisicalidade do jogador francês, cedendo após quatro jogos muito duros e intensamente disputados. Foram 49 minutos de squash de altíssimo nível e que terminaram com os parciais de 11-9, 7-11, 11-5 e 11-5.

Rory Stewart, 3.º pré-designado, foi dos poucos favoritos que conseguiu sobreviver à hecatombe que foi a segunda ronda da competição. Frente ao combativo Baptiste Bouin, o jogador escocês teve que se aplicar a fundo para evitar dissabores, triunfando por 3-1 (12-10, 9-11, 11-7 e 11-7) ao fim de 57 minutos. Bouin esteve sempre muito consistente ao longo de toda a partida e colocou sempre dificuldades ao seu adversário, mostrando que tem valor para estar bem acima do seu ranking atual.

Outro favorito que acabou eliminado foi o argentino Leandro Romiglio, 4.º cabeça-de-série. Diante do norte-americano Nicholas Spizzirri, Romiglio nunca conseguiu assentar o seu jogo e pareceu andar sempre um pouco atrás do prejuízo. Nicholas Spizzirri mostrou um squash de elevado nível técnico, colocando o seu opositor em situações complicadas, com a bola sempre muito “apertada”. Os parciais de 11-9, 11-5 e 11-8 são reveladores da supremacia do jogador americano que pareceu adaptar-se melhor às condições do court.
O francês Brice Nicolas não deu qualquer chance ao suíço David Bernet e venceu pela margem máxima (3-0). Apesar de ter um ranking inferior ao seu adversário, a verdade é que no court Brice Nicolas mostrou uma superioridade incontestável bem patente nos parciais de 11-5, 11-5 e 11-4. David Bernet foi mais um dos pré-favoritos (8.º) que caiu no dia de hoje.

O principal favorito à vitória, Patrick Rooney, passou incólume neste dia de surpresas, ao conseguir derrotar por 3-0 o seu compatriota Bailey Malik. O antigo vencedor na Madeira apenas passou por dificuldades no segundo jogo, onde teve que disputar as vantagens, triunfando por 12-10. Os parciais de 11-6, 12-10 e 11-5 fazem com que Rooney passe à ronda seguinte numa boa posição, uma vez que não foi sujeito a um grande desgaste físico como aconteceu com alguns dos seus adversários.

Na última partida do dia o argentino Jeremias Azaña, 7.º cabeça-de-série, sobreviveu à maratona diante do irlandês Sam Buckley, para confirmar a presença nos quartos-de-final do torneio. Foram precisos 71 minutos e cinco jogos (3-2) para Jeremias Azaña quebrar a resistência de Sam Buckley. O jogador argentino cedeu o primeiro jogo (4-11) mas respondeu nos dois seguintes vencendo por duplo 11-8. Buckley ainda não tinha deitado a toalha ao chão e reagiu no quarto parcial, vencendo pela mesma margem 11-8. No quinto e decisivo jogo Jeremias Azaña entrou melhor e garantiu uma vantagem importante no marcador, que conseguiu gerir até ao final, fechando a partida com 11-8.
QUARTOS-DE-FINAL

17h30[1] Patrick Rooney [ENG] vs [7] Jeremias Azaña [ARG] 

17h30[9/16] Brice Nicolas [FRA] vs [9/16] Nicholas Spizzirri [USA] 

15h45[3] Rory Stewart [SCO] vs [9/16] Joshua Phinera [FRA]

15h45[5] Shahjahan Khan [USA] vs [9/16] Lwamba Chileshe [NZL]

Torneio feminino sem grandes surpresas

Rana Ismail, 1.ª cabeça-de-série, não teve uma estreia fácil na competição. Diante da francesa Lea Barbeau, a jogadora egípcia sentiu algumas dificuldades ao longo de toda a partida, em especial no segundo jogo, que terminou com um apertado 18-16 favorável a Rana. Mérito seja dado a Lea Barbeau que esteve sempre muito bem ao longo de todo o encontro, obrigando a favorita à vitória na competição a ter que apresentar o seu melhor squash. Os parciais de 11-7, 18-16 e 11-7 espelham bem a competitividade dentro do court. No final da partida Rana Ismail mostrava-se satisfeita com o resultado. “Senti-me bem. É bom estar de volta à Madeira, onde estive há dois anos. Já tem algum tempo que não jogo nestas condições, mas foi bom. Estou satisfeita por estar na próxima ronda e agora já estou mais dentro do torneio”, afirmou a jogadora egípcia. O objetivo para este ano está bem definido. “O objetivo é vencer. Já o fiz uma vez e espero poder voltar a repetir o feito”, concluiu Rana Ismail.

Na competição feminina a surpresa do dia acabou por ser a eliminação de Isabel McCullough às mãos da germânica Maya Weishar (1-3). A finalista vencida da última edição do torneio entrou melhor na partida e fechou o primeiro jogo por 11-8. A jogador alemã respondeu e apesar do susto no início do segundo parcial, com uma queda feia que obrigou a interrupção por lesão e a assistência médica, foi Maya Weishar que voltou mais forte e concentrada. Esse momento acabou por marcar o volte face no sentido do jogo, com a jogadora alemã a assumir o controlo da partida e a não permitir que Isabel McCullough, que pareceu afetada com a situação, voltasse a estar por cima das operações. 8-11, 11-6, 11-6 e 11-8 foram os parciais que marcaram a vitória da jovem germânica. Resta saber qual a verdadeira extensão da lesão sofrida no tornozelo direito e em que condição Maya Weishar se irá apresentar na partida de amanhã.

Nas restantes partidas de hoje, as favoritas fizeram valer o seu estatuto e carimbaram, com maior ou menor dificuldade o seu lugar nos quartos-de-final da competição.

A segunda cabeça-de-série do torneio, a egípcia Menna Walid, derrotou por 3-0 (11-9, 11-8 e 11-0) a malaia Yu Ng Chen. A jogadora da Malásia aguentou enquanto teve pernas, mas o squash superior da jogadora egípcia acabou por fazer a diferença e o último parcial de 11-0 revela bem as dificuldades com que Yu Ng Chen terminou o encontro. 21 minutos foi tudo o que Menna Walid necessitou para garantir a continuidade na prova.

No único embate envolvendo jogadoras portuguesas, a favorita Catarina Nunes não deu qualquer hipótese a Mariana Martins. A campeã nacional mostrou que é mais forte e triunfou pela margem máxima (3-0). Os parciais de 11-2, 11-3 e 11-4 revelam bem a diferença que ainda existe entre as atletas e garantiram a Catarina Nunes um lugar nos quartos-de-final do torneio. Um resultado que deve agradar muito à jogadora natural do Porto, isto atendendo à qualidade da lista de participantes.

A 3.ª pré-designada, a irlandesa Breanne Flynn, teve que se aplicar a fundo para não ser surpreendida por Yu Jie Chen. A jogadora da Malásia entrou melhor no encontro e acabou mesmo por vencer o primeiro jogo (12-10). Como era esperado Breanne Flynn reagiu e passou a controlar melhor o “T”, obrigando a malaia a trabalhar muito para se manter nos ralis. Foi uma boa performance de Yu Jie Chen, no entanto, insuficiente para superar o squash da atleta irlandesa. Breanne Flynn acabou fechando o encontro por 3-1 (10-12, 11-6, 11-8 e 11-5).

Farida Walid estreou-se com uma prestação sólida diante da dinamarquesa Caroline Lyng Christiansen. A jogadora egípcia, 4.ª cabeça-de-série do torneio, teve que trabalhar bastante para conseguir quebrar a sua opositora. Caroline Lyng Christiansen conseguiu mesmo fechar o primeiro jogo por 11-9 e mostrou sempre um squash de qualidade. Farida Walid, no entanto, nunca se desconcentrou e manteve sempre a pressão sobre a jogadora dinamarquesa. Com o desenrolar do encontro o fator físico começou a pesar, com Caroline Lyng Christiansen a acusar o desgaste do imenso trabalho a que estava a ser sujeita para se manter nos pontos. No final, um triunfo justo, por 3-1 (9-11, 11-8, 11-1 e 11-5) da jogadora mais forte em court.

O embate entre a japonesa Erisa Sano Herring e Megan van Drongelen, dos países baixos, acabou por ser dos mais emotivos da segunda ronda da competição. Apesar de nem sempre bem jogado, o encontro teve de tudo e cativou o muito público presente. Após a vantagem inicial de Megan van Drongelen, que chegou a liderar confortavelmente por dois jogos a zero, Erisa Sano Herring reagiu e conseguiu levar a partida para um quinto e decisivo jogo, acabando por virar por completo o guião inicial e vencer por 3-2 (5-11, 4-11, 11-6, 11-7 e 11-6). Uma derrota algo pesada para a jogadora dos países baixos, que ainda não deve acreditar no que aconteceu, mas que premeia a combatividade e persistência da jogadora nipónica.

A jovem Karolína Šrámková mostrou que não está na Madeira para fazer turismo e aplicou 3-0 à norueguesa Chloe Celine Kalvø. A quinta pré-designada demorou apenas 23 minutos para levar de vencida a sua oponente e irá apresentar-se nos quartos-de-final em excelente forma física. Os parciais de 11-5, 11-2 e 11-7 são reveladores da superioridade da jovem da Chéquia, uma das maiores promessas do squash feminino do Velho Continente.

QUARTOS-DE-FINAL

15h00 – [3] Breanne Flynn [IRL] vs [9/16] Maya Weishar [GER]

15h00 – [8] Catarina Nunes [POR] vs [2] Menna Walid [EGY]

16h45 – [1] Rana Ismail [EGY] vs [5] Karolína Šrámková [CZE] 

16h45 – [6] Erisa Sano Herring [JPN] vs [4] Farida Walid [EGY]


Texto por Rui Catanho
Fotos AD Galomar